5 coisas que eu já quis ser

Desde pequenos escutamos as pessoas perguntando “o que você quer ser quando crescer?” e no alto da nossa sabedoria de 4 anos de idade a gente responde: astronauta. Ou qualquer coisa do tipo. O que importava mesmo era ser gente grande e fazer coisas de gente grande. Hoje sou gente mais ou menos grande e não é lá tão mágico quanto eu imaginava naquele tempo.

No que diz respeito a profissão eu nunca tive uma grande paixão que me fizesse estudar e batalhar a vida inteira. Não nasci brincando com bichinhos de pelúcia de doenças, nem desmontava coisas para aprender a montar sozinha depois. Nunca quis ser médica. Ou advogada. Ou veterinária. Eu só queria fazer alguma coisa divertida. É por isso que em algum momento da minha vida infantil eu quis ser o Beakman. Bem, não o Beakman exatamente, mas uma cientista. Eu queria jogar um líquido colorido em outro também colorido e fazer uma explosão que resultasse em algo para salvar o mundo. Tudo em nome da ciência, claro.

Isso nunca aconteceu, nunca fui cientista, nem salvei o mundo. Ainda. Então eu brincava de ser professora. Não sei se eu queria realmente ser professora , acho que eu só gostava de brincar de ser. Uma coisa divertida da brincadeira era poder inventar nomes, dividir os alunos imaginários em classes e dar notas pra eles. O curioso é que eu gostava mais de dar nota (de provas, trabalhos, etc) e somar todas elas do que ~ensinar~. Como naquela época eu não sabia separar o pessoal do profissional, os nomes dos alunos que eram iguais aos de pessoas que eu conhecia e eram legais, eu dava nota alta. Para aqueles com nome de gente chata, notas baixas. Ainda bem que não segui por esse caminho.

Além disso, eu gostava de brincar com coisas de escritório. Escritório de qualquer coisa, desde que tivesse papéis, clipes, elásticos, canetas e grampeador. Lembro uma vez quando pequena que fui passar as férias em Santos e enquanto o porteiro verificava as correspondências o relógio dele batia na mesa e fazia um barulho bem legal. Me parecia algo bem profissional aquele barulho, então passei as férias todas com um relógio largo no pulso para que quando mexesse nos papéis do meu escritório ele fizesse aquele mesmo barulho profissional. A mesma coisa com o lance do salto alto, quando escuto o barulho de um salto eu sempre imagino uma executiva bem sucedida. Acontece que hoje cresci, sou gente grande e não sou fã de saltos altos.

Lá pelos meus 11 anos eu quis ser uma… Chiquitita! Isso mesmo, amiguinhos. Eu queria fazer a novela do SBT, atuar, dançar, cantar e virar uma estrela da TV. Aí não era mais uma brincadeira, eu realmente queria ser atriz. Fiz cursos de teatro e ensaiei para uma peça de teatro amador – e eu tinha que saber a fala de todos os personagens para caso uma pessoa faltasse eu pudesse substituir! HAHAHA Mas ensaiei e não apresentei peça alguma. Em algum momento a ficha caiu e me dei conta que eu realmente era tímida pra isso.

Quando você já está crescidinha esse “o que você quer ser quando crescer?” não é algo tão distante assim para se pensar. Em algum momento próximo você terá que tomar a decisão do que você vai querer ser pela vida toda. É aterrorizante esse sentimento, mas já que era uma decisão que tinha que ser tomada, no ensino médio decidi que queria ser jornalista. Não para apresentar o Jornal Nacional ao lado do William Bonner e dizer “Boa Noite” até para os parentes mais distantes que não me viam desde pequena, eu só queria escrever para alguma revista ou jornal. Parecia possível.

Isso durou até o dia que um professor de português, que falava como um legítimo português, chegou para a sala toda e falou que todos nós éramos uns merdas. Não com essas palavras exatamente, mas foi isso que ele quis dizer. Como não dá pra ser jornalista mal sabendo escrever o próprio nome, deixei pra lá. Se eu realmente quisesse teria insistido nisso, mas não foi o caso.

Ainda no ensino médio, meus pais votavam em um colégio técnico. Lá eles pegaram um panfleto falando sobre os cursos que o colégio oferecia e meu pai veio correndo me mostrar que tinha um tudo a ver comigo. No panfleto dizia que Design Gráfico era para pessoas extremamente criativas e, segundo ele, eu era criativa (coisas de pai, eu sei). Ao ler mais sobre o assunto acabei me interessando, mas indecisa como sou terminei o ensino médio em dúvida se queria fazer Design Gráfico ou Produção Editorial. Sabiamente optei por Design Gráfico, curso que me formei e hoje meus pais se enchem de orgulho com qualquer ~loguinho~ ou ~convitinho~ ou ~panfletinho~ que eu faça.

Hoje posso não salvar o mundo descobrindo curas de doenças, cuidar de animais doentes ou prender ladrões, mas acho que faço algo divertido. Era tudo que eu queria fazer, afinal.

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros gente boa com saudade da internet old school. Para ver todos os posts do Lua Vai que fazem parte do projeto é só clicar aqui.

 

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18 comentários sobre “5 coisas que eu já quis ser

  1. Mas cê conseguiu algo divertido e é isso o que importa, não é mesmo? ^.^
    Eu curso Pedagogia. Já fui pra o Web Design e sou formada em Design Gráfico, mas percebi que não quero passar a minha vida toda trabalhando nisso. Adoro crianças, adoro ensinar e sempre AMEI estar dentro da escola. Mas meio que lutava contra a minha vocação porque a família, né, não concordava muito com a ideia de eu ser professora e “ganhar mal”. Mas… c’est la vie.

    Beijos ;*

  2. É engraçado como a gente acha que certas coisas só acontecem conosco. haha Acho que se fizesse um ranking, professor ganharia disparado! Impressionante o número de gente, e triste também que uma profissão que já foi desejada por tantos é hoje tão desrespeitada. :/

    Beijo, moça! Parábens pelo post e pela edição das imagens (gostei bastante :))
    http://superamorinha.blogspot.com

  3. Obrigada =)

    Acho que ser professora era a brincadeira favorita da maioria das garotas. Hoje parece que o mundo tá meio de ponta cabeça, mas ainda acredito que os professores serão valorizados como merecem!!

  4. Ah, que texto bom de ler!!! Eu super me identifiquei nas brincadeiras de escritório! Acho que depois de Detetiva, era uma das coisas que mais gostava de brincar. E sim, professora tbm, quem nunca? Não a toa cursei um semestre de Pedagogia kkkkk. Essa coisa de fazer algo que pessoas importantes fazem é muito característica da infância, né? Que bom que no final tu encontrou uma profissão que tu gosta e que te faz feliz. Beijo!!

  5. Também á quis ser cientista, é tudo muito fácil quando se é criança, mas quando as aulas de química começaram na escola a vontade foi pro ralo. Que bom que você encontro algo que te faça bem e deixe seus pais orgulhosos, ainda to na fase de terminar o ensino médio e ficar na dúvida sobre o que fazer haha

    Beijos e gostei muito de conhecer o seu blog ♥

  6. Eu nuca quis ser professora, mas as outras coisas eu super me encaixo também.
    Ser alguém que parece fazer coisas importantes hahaha eu usava uma armação de óculos (sem lente) e andava de salto para toda canto da casa falando em um celular de brinquedo marcando mil reuniões!
    Quando eu tinha unas 7 anos ganhei uma roupa de Chiquitita e me achava a própria, era difícil alguém me convencer a tirar aquele vestido viu!

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