Meus vizinhos e nossas histórias


Durante toda minha vida me lembro de ter morado em 3 casas, mesmo assim tive uma boa quantidade de vizinhos e histórias. Essas histórias serviram como guia para montar o Guia prático de como ser o pior vizinho do mundo, agora venho dividi-las com vocês.

Não consigo lembrar muito bem dos vizinhos da casa que morei quando pequena, a única lembrança que tenho é que próximo ao Natal fui com meus pais na casa de um deles desejar bom fim de ano e os vizinhos me deram de presente um álbum de figurinhas… completo. Quem presenteia alguém com um álbum de figurinhas completo? Era mais fácil ter me deixado sem presente e me oferecido um pedaço de bolo, ou biscoito, ou sei lá, ter me desejado um feliz natal.

Tirando esse episódio não me lembro de ter problemas com vizinhos, aliás, o álbum de figurinhas nem foi um problema, só foi… diferente. As coisas começaram a ficar estranhas quando nos mudamos para um condomínio, muitos vizinhos e, para morar lá, não era necessário um teste de saúde mental (mesmo porque se tivesse ficaríamos de fora).

Sempre que uma senhora me encontrava no elevador ela dizia coisas como “Nossa, como você cresceu, lembro de você pequenininha correndo pra lá e pra cá, como você emagreceu!”. Na primeira vez eu fiquei olhando, pensativa, tudo bem lembrar de mim pra lá e pra cá, mas com o passar dos anos eu engordei, a balança não me deixa mentir. Até tentava convencê-la que a pessoa a que ela se referia não era eu, mas ela insistia que era.

Um dia nos encontramos no elevador e ela veio com a mesma história, resolvi então aceitar que aquela pessoa que ela imaginava era eu. Só que foi só eu concordar pra ela discordar “não, péra… acho que não é você”.

Ok, chegamos ao térreo, desejamos bom dia uma para outra e ela saiu na frente. Quando chega ao portão ela pára e fica olhando para minha irmã que estava chegando da escola, começa a rir e diz “Nossa, eu te vi no elevador e aí você já está aqui na minha frente HAAHAHA. São duas, nossa como o tempo passa, era dela (apontando pra minha irmã) que eu estava me referindo”. No fim eu acho que ela não se referia nem a mim nem minha irmã, mas a gente sorriu e deixou pra lá.

 

Meus vizinhos do apartamento da frente tinham dois yorkshires que gostavam de ir para a minha porta latir para a minha doce Mel. Um dia vi que os latidos não acabavam nunca então fui olhar e a porta do apartamento da frente estava aberta, acho que alguém desceu pra buscar algo na portaria e não fechou direito. Fui abrir a porta para tentar colocar os cachorros para dentro e acabou que me ferrei. Com uma perna segurava minha cachorra para não sair e ir pra cima dos cachorros do vizinho, com a outra segurava os dois cachorros para não entrarem e irem pra cima da minha cachorra. Levei alguns arranhões e mordidas daquelas doces criaturas e ainda notei que eles deixaram duas deliciosas surpresinhas no nosso tapete de entrada. De todos os lugares do hall, dos 4 tapetinhos que eles poderiam escolher, foram bem no nosso! E capricharam.

 

Os donos dos yorkshires sempre brigavam muito, até entendo o estresse daqueles cachorros, mas é aquela velha história “briga de marido e mulher não se mete a colher”. Era todo dia, toda noite, toda hora. Até que um dia comecei a ouvir as vozes mais altas, fui olhar pelo olho mágico e a mulher estava no hall chamando o elevador, pensei em abrir a porta, perguntar se estava tudo bem, se ela precisava de algo, mas como eles ainda gritavam muito minha cachorra começou a latir desesperadamente. Peguei a Mel no colo e quando olho de novo o cara está PELADO correndo atrás da mulher. Voltei pra sala sem saber se ria, se ligava para o porteiro ou se deixava pra lá. No fim ficou tudo bem, hoje eles estão separados e felizes.

 

Por todo tempo que já morei naquele prédio conheci umas 839578 famílias que moraram no apartamento ao lado. Uma delas era uma mulher louca de pedra, gritava com tudo e todos, a qualquer hora do dia. Quando ela se mudou todos lá em casa nos abraçamos e comemoramos muito. Então chegou o novo vizinho chamado Tom. Eu nunca vi a cara dele, mas sei que ele gostava de cantar no videokê sábado à tarde e sempre tinha Wando no repertório. Um dia alguém que morava com ele chegou de madrugada, mas estava sem a chave, então tocou a campainha para que o Tom pudesse abrir, mas ele não abriu. Depois de várias tentativas ela começou a chamar “Tooooom”, “Ôôôôô Tom, abre aqui pra mim”, “Toooom, eu vou te matar, abre essa porta”, “Puta merda, Tom, abre essa merda”, “Eu não acredito, Tom, vou te matar!”. Depois disso nunca mais ouvi o Tom cantando nas suas tradicionais tardes de sábado com videokê.

 

Vizinho normal-normal ninguém tem, mas tinha um cara que morava no prédio que tinha dois furões de estimação e ia passear com eles todo pimpão. Até aí cada um tem o bicho que quiser, mas ele tinha alguma esquisitice que ia além dos animais de estimação. A história que circula é que um dia o porteiro demorou a abrir o portão pra ele, então quando ele entrou foi direto até a portaria, pegou uma panela e pááááá no porteiro. Sim, uma panelada.

Esse mesmo cara já deu o que falar em reunião de condomínio. Uma quinta à noite percebo um barulho anormal pelo térreo (e olha que morava no alto), quando olho na janela vejo uma confusão, gritaria, gente segurando gente, uma loucura. Acontece que o cara do furão resolveu ofender uma senhora gente boa, o filho dela não gostou, a galera que estava na reunião também não, as coisas ficaram fora de controle e aí que me dei conta que morava numa versão real do Jambalaya. Pode perguntar pro Miguel Falabella que ele vai dizer que se inspirou nesse prédio que eu morava.

 

Então eu vim para o interior pensando “agora tudo fica calmo”. Foi em uma linda e deliciosa manhã de sábado feita para colocar o sono em dia que meu sonho começou a ficar confuso, eu me perguntando por que estava tocando lambada no sonho, até que eu vou despertando e realmente escuto um som bem alto “chorando se foi quem um dia só me fez chorar…”. As NOVE DA MANHÃ DE UM SÁBADO. Só que não parou por aí e logo depois veio Whisky a Go Go e até a música do He-man. Juro. Foi uma looonga e estressante manhã.

 

Tenho um vizinho que para combater o “crime” ele chama os puliça. Eu digo “crime” porque uma vez ele chamou a polícia para um cara que parou o carro na rua, direitinho, mas segundo o vizinho a vaga era dele. Lembrando que: a rua é pública.

Outra vez, já bem tarde da noite, houve uma confusão envolvendo nosso vizinho fã da polícia e um outro vizinho, ex-amigo dele. O ex-amigo gritava chamando o vizinho para briga e o acusava de passar na rua provocando e depois se esconder em baixo da saia da mãe. Chegaram duas viaturas e não deu em nada, exceto que a mãe do vizinho passava mal de nervoso com a situação e por isso além da polícia chamou também a ambulância.

 

Na maioria das vezes que há brigas e altas confusões ouço o vizinho ameaçar chamar a polícia, mas exceto essas duas situações acima a ameaça fica só na ameaça. Alguns meses atrás sempre que ele tinha que ter uma DR com a namorada ele vinha para baixo da minha janela. Juntando o fato da minha janela ficar de cara para a calçada e do meu vizinho curtir muito a minha janela, era como se eu participasse de diversas DR´s.

Um dia isso virou um barraco só e envolveu a ex-namorada do vizinho, que segundo ele não valia nada e dava mole pra outros caras, o vizinho ex-amigo dele (aquele que veio gritar na janela dele chamando para briga) e ele. Era dia dos namorados e eu só queria que desse tempo de estourar umas pipocas, pegar um guaraná e ficar observando:

Menina: “Sua mãe é uma PI-RA-NHAAAA”
Vizinho 1: “Você não abre a boca pra falar da minha mãe, sua vagabunda”
Vizinho fã da polícia: “Eu vou chamar a polícia”
Menina: “Fã da polícia, olha só.. você não acredita em mim?”
Vizinho fã da polícia: “Eu já falei pra você sair daqui, não quero mais saber de você, vou chamar a polícia”
Vizinha-Mãe: “Eu tô passando mal”

 

Eu vendo as esquisitices dos meus vizinhos

E essas são algumas das histórias, mas se um dia perguntarem vou dizer que as histórias e os personagens são fictícios.

 

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