As lembranças das férias em Santos

Desde pequena as férias, feriados e folgas em geral tinham um destino certo: Santos. Foi um tempo de pé na areia e corpo dourado. Sempre que chega essa época de férias-calor-curtição fico nostálgica.

Meus primeiros contatos com a praia não foram tão mágicos assim, dizem meus pais que quando pequena eu só ia para a praia se tivesse de tênis. Visualizem aí: eu, branquela, magrela, de maiô e tênis na praia. Eu até sentava na areia pra brincar, mas de jeito nenhum colocava meus pezinhos na areia. Meus pais bem que tentavam, mas eles diziam q eu levantava a perna pro meu pé não tocar na areia, mas eu superei, tá?

Tirando esse pequeno fato da infância ir para Santos era sempre divertido e viajar em família era algo meio doido, pra começar a gente mal chegava e minha vó já queria ir ao mercado, não de carro, mas a pé. Na minha cabeça de criança era um caminho longo, mas agora parando pra pensar acho que era uns 15 minutos a pé. Se esse era o ritual de chegada, anos mais tarde criou-se o ritual de saída que consistia em parar em outro mercado com praça de alimentação para fazer a última refeição antes de subir a serra. A comida? Era sempre frango com polenta. Como vocês podem ver supermercados eram essenciais para concluir os rituais de chegada e partida.

“Mãe, a Dé quer me levar pra passear… no mercado!”

De todas as lembranças das idas à Santos a mais forte era de acordar com o som do tamanco da minha vó quando ela passava pela sala (tlec tlec tlec) e abria a porta para ir comprar pão. Aquilo era sinal de que a felicidade estava prestes a atingir o auge, com o cheirinho do café fresquinho e o pão quentinho. Era a melhor forma de começar os dias!

Além da praia e do café da manhã, quando pequena, todas as férias meus pais levavam eu e a minha irmã ao cinema lá da Ana Costa, uma avenida cheia de coisas legais, como cinema e Mc Donalds. Era só terminar a sessão que íamos do cinema para o Mc Donalds. Foi claramente uma infância feliz, cheia de sol, filmes da Disney e gordices.

Falando em gordices não poderia deixar de dizer que foi em um carrinho, em frente ao Clube Caiçara, que descobri uma nova paixão: churros. Foi amor à primeira mordida e dei a ele o título de melhor churro do planeta. Anos depois o clube fechou e o carrinho sumiu de lá. Bateu uma tristeza, uma sensação de abandono e aquele pensamento de que nunca mais encontraria o churro certo novamente, até que descobri um bem bom pela região e pude transferir o título de melhor churro do planeta para outro carrinho.

Bom era acordar e ter essa vista pra olhar

Anos mais tarde era comum ter os festivais de inverno/verão. Era uma animação só, com direito a shows na praia, um parquinho cheio de atrações altas-emoções-pode-ser-que-realmente-caia e várias barraquinhas para os gordinhos matarem a fome. Uma das vezes fomos para comer uma daquelas delícias que eu já não lembro se era pastel ou pão com linguiça e acabamos assistindo ao show do Caju e Castanha. Foi aí que descobri que todas as músicas deles pareciam uma só. Acho que também foi nesse dia que estavam distribuindo camisinhas para conscientização sobre DST e acharam mais coerente conscientizar a avó do que a neta adolescente.

Depois disso minha vó acabou alugando o apartamento para um grego gente boa que nunca conheci, mas ele cuidou bem do apartamento, pagava direitinho e dizia maravilhas sobre o Brasil. Um dia que ele teve que voltar para a Grécia e devolveu o apartamento, que acabou sendo alugado por uma louca que quebrou tudo e quando saiu levou os móveis todos. Mas tudo bem, porque aí voltamos a aproveitar as maravilhas que Santos tinha a nos oferecer, mesmo com móveis diferentes daqueles da infância.

Das últimas visitas à cidade, com cara de sono depois de um congestionamento recorde na descida da serra

Da última vez que fui pra lá, pegamos um engarrafamento de SEIS horas para descer a serra. Valeu a pena? Sim. Mas chegamos tão cansados que ao invés de aproveitar a cidade/sol/praia/mar/curtição acabamos aproveitando os colchões do apartamento.

Ah, Santos! Que saudade das gordices, do cinema, dos jogos de férias, das lojinhas de bijuterias, de torrar no sol e depois não conseguir nem colocar uma roupa direito por causa da pele queimada. Obrigada por todos os picolés de uva e pela diversão das férias. Um dia ainda volto para repetir tudo isso.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s