O dia que a farofa de banana me fez sentir saudade de cozinhar

Antes de sair da casa dos meus pais ir para a cozinha era algo raro e quando ia era apenas para fazer doce, no máximo uma pipoca de microondas. Quando casei tive que encarar a cozinha de frente, ou era isso ou uma dieta a base de nuggets e lasanha congelada. Em nome da nossa saúde aprendi a me virar, nada que pudesse me colocar em um Masterchef, mas sai bem o suficiente para não morrer de fome ou inventar desculpas diárias para ir a um restaurante.

O único problema dessa história é que cozinhar toma tempo e tempo é dinheiro e tem vezes que não tem como fazer mágica para conseguir fazer tudo o que precisa + fazer comida. Foi aí que descobri as maravilhas da marmita, a facilidade de pegar o telefone, pedir marmita e esperar por ela prontinha. E, melhor ainda, descobri uma senhora que vende marmita por 5 dilmas. A comida era gostosa e barata, tinha encontrado a solução perfeita para dias de agenda lotada e preguiça aguda.

Nesse fim de ano/começo do ano entramos na fase das marmitas. Parecia a solução ideal para dar conta de fazer as comidas natalinas e preparar a casa, além das tarefas rotineiras. Foram alguns dias de comida pronta, menos panela na pia e um tempero diferente do meu. Tudo ia bem, até o dia que a senhora das marmitas cagou tudo.

Com marmita seus dias de pia cheia estão contados

Um dia abrimos a marmita, elogiamos o cheiro e demos um risinho pela nossa esperteza em economizar tempo não fazendo comida, mas foi só dar a primeira garfada para pensar “Que porra é essa?”. O arroz estava doce, o feijão, a couve e até o frango. Quando vi a farofa gosmenta que entendi: a mulher colocou banana na farofa. Acho que ela se empolgou com as receitas natalinas, essa mistura do Brasil com o Egito entre o doce e o salgado, e simplesmente fez uma refeição doce.

Eu queria que a tecnologia permitisse uma degustação para fazer um post multissensorial, assim vocês entenderiam minha reclamação. Naquele dia troquei a marmita cheirosa por um delicioso miojo de galinha caipira. Combati o doce da farofa de banana com uma overdose de sódio do miojo.

Foi nesse dia que percebi a falta que a nossa própria comida faz, a falta que faz a comida da minha mãe e a da minha vó, na verdade qualquer comida que eu estivesse acostumada com os ingredientes usados na receita. Também me lembrei que poderia ter feijão em quantidade suficiente para molhar a comida sem transbordar na marmita e que não precisava pagar por alimentos que eu não gostava, tipo o chuchu.

Foi graças à farofa de banana que aprendi lições importantes como valorizar a comida feita em casa, principalmente porque as receitas de família são modificadas para agradar nosso paladar. Agora também não tenho mais que comer a marmita inteira só para não desperdiçar comida. A balança agradece.

Parece gostosa e cheirosa, mas na verdade é toda gosmenta e deixa tudo doce… argh

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2 comentários sobre “O dia que a farofa de banana me fez sentir saudade de cozinhar

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