Carnaval for gringos: O que eles precisam saber

Brasil, sãmba, futebou, carnavau, buñda, caipirinha…

Está oficialmente aberta a temporada de aeroportos e rodoviárias lotadas, pessoas bêbadas por tudo quanto é canto e durante todo o dia, gente pelada na TV e muita animação pelo simples fato de ser carnaval. Junto com essa loucura toda também chegam os gringos atrás de toda ousadia e alegria do carnaval brasileiro. Nós já nascemos no meio dessa festa toda (no meu caso, mal nasci e o carnaval já começou) então estamos acostumados, mas, como explicar para um amigo gringo o que é o carnaval brasileiro?

Para começar, os brasileiros podem ser divididos entre os que gostam e os que não gostam do carnaval, mesmo assim é um feriado esperado por todos, tanto pelos que contam os dias para se jogar em uma das festas quanto por aqueles que querem apenas se jogar na cama por 4 dias inteiros. A lógica é: nem todo brasileiro gosta do carnaval em si, mas todo brasileiro gosta do feriado.

Dependendo para onde for viajar no carnaval você pode encontrar diversas formas de comemoração. Cada festa tem suas próprias características, por exemplo, tem lugar que você fica paradinho vendo a festa passar, em outros você é parte da festa e será levado por ela, querendo ou não. É importante saber o que te espera, você não vai querer confundir uma coisa com a outra.

Por isso lhes apresento o guia explicado do carnaval brasileiro:

Cada escola de samba é formada por um galerão que trabalha o ano inteiro para chegar no carnaval e fazer bonito. Eles trabalham em cima de um tema que é o que vai guiar tudo que for criado para o desfile. Pra você entender, um desfile de uma escola de samba é basicamente um galerão que vai desfilar para outro galerão assistir. E todo mundo sai satisfeito com isso.

O desafio de cada escola é atravessar a avenida (que não é uma avenida de verdade, é o sambódromo, um nome carnavalesco para uma passarela com arquibancada), com tempo mínimo e máximo. Enquanto estão desfilando elas são avaliadas em um monte de coisas que nem nós brasileiros entendemos direito, mas se tiver uma respiração fora de hora elas podem perder ponto. Pois é, desfile de escola de samba não é só pra todo mundo sair feliz, é uma competição tão séria que você não ia querer ser jurado.

Já para quem vai acompanhar pessoalmente os desfiles no sambódromo o desafio é conseguir assistir com a mesma animação as 7 escolas que irão desfilar no dia. Não é fácil, amigos, haja garrafa térmica com café e energéticos.

O que esperar: Muita pena de pavão albino, brilho, muito brilho, quanto mais brilho melhor, muita mulher quase pelada, uma ala das baianas, gente animada mesmo com uma fantasia quente em um calor do cacete, bateria de arrepiar, um samba-enredo cantado em looping durante todo o desfile e altas tretas entre subcelebridades para saber quem vai ser o maior destaque da escola.

 

Tem no Rio, São Paulo, Minas, Pernambuco, no interior, tem Brasil afora… Funciona assim: Junta uma galerinha/galerão que percorre um caminho X com muita música e animação.

Em Olinda você ainda pode encontrar um desfile de bonecos gigantes e, diferente das escolas de samba, todos vestidos e sem tapa-sexo. É uma tradição que começou em 1930 e continua até hoje. Aqui, além do samba, você sai às ruas ao som do frevo, outro ritmo carnavalesco.

Além dele você vai encontrar blocos de rua em um monte de lugar por aí, tem cidade que é você sair de casa pra tropeçar em um bloco. Eles tocam samba? Tocam, sim senhor, mas tocam marchinhas também. E marchinha é um gênero de música popular presente nos carnavais, geralmente suas letras inteiras tem a mesma quantidade de palavras que os títulos dos sambas-enredo das escolas de samba. Aliás, diferente do samba-enredo que muda todo ano, as marchinhas são clássicas, a primeira surgiu em 1899, foi a “Ó abre alas” da Chiquinha Gonzaga.

Ah, não se assuste se alguém te convidar para o bloco Suvaco de Cristo, Simpatia é quase amor, Pinto Sarado ou Virilha de minhoca, tem um monte de bloco de rua com nome estranho.

O que esperar: Gente, muita gente (porque é isso que você encontra no carnaval, seja no sambódromo, seja na rua, seja no supermercado), bonecos gigantes (em Olinda), gente alegre e gente que tá lá no meio e não sabe como foi parar lá.

 

Saindo do trecho Rio-SP com suas muitas escolas de samba e blocos de rua, você pode se jogar também no carnaval baiano, com trio elétrico, música, pegação e muita gente. Há três principais circuitos que ligam um lugar a outro e é por onde a festa vai acontecer. É tipo uma maratona, mas a única competição é entre os foliões para saber quem pega mais.

Sou brasileira, mas não entendo direito a mecânica da coisa, apenas sei que uma galera paga caro por umas camisetas (chamadas de abadá) para depois pagarem para outro alguém destruí-las e transformá-las em uma coisa completamente diferente da original (chamamos isso de customização). No dia, veste-se o abadá e vai atrás de um caminhão com um cantor/banda que anima todo mundo com suas músicas.

Acho importante dizer que é MUITA gente atrás de um caminhão que toca música e se você ficar de saco cheio você vai ter que seguir a multidão do mesmo jeito. Não pode ter câimbra, não pode ter dor de cabeça e se não for pegar ninguém precisa ter muita disposição pra dar umas cotoveladas em alguns. Quem vai participar dessa festa precisa fazer uns treinos preparativos para aguentar acompanhar o trio-elétrico.

Tem também os camarotes, mas se eu não sei nem o que acontece no povão, quanto mais no camarote, né? Mas isso você pode acompanhar de buenas assistindo TV, ou, tempos depois, em uma dessas revistas que tem em cabeleireiros.

O que esperar: Gente animada, suada, pulando que nem pipoca, competição de quem pega mais durante o trajeto, bebidas, gente, muita gente, não da nem pra saber o que acontece porque tem muita gente e sua única preocupação deve ser como continuar em pé para não ser pisoteado.

Se você brasileiro já cansou só de ler, então vem para o time dos que acompanham tudo do confortável sofá em frente a TV. 0/ Se você gringo teve alguém que leu isso para você e cansou só de ouvir, vá aproveitar mesmo assim, dinheiro não nasce em árvore e você já deve ter gasto uma fortuna chegando até aqui.

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros gente boa com saudade da internet old school. Para ver todos os posts do Lua Vai que fazem parte do projeto é só clicar aqui.

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