O que eu aprendi no dia que conheci a Praia do Espelho, fiz aniversário e achei que fosse morrer de alergia

Há um ano mudei o status do Facebook de “noiva” para “casada” e, como tradição, logo após o casamento partimos para a lua de mel. Pegamos um avião com destino a felicidade e pousamos na Bahia, Arraial D´Ajuda era nosso destino.

Como estávamos por aquelas bandas queríamos aproveitar para fazer um desses passeios turísticos e conhecer a Praia do Espelho. Devido a nossa inexperiência e falta de planejamento deixamos para marcar de última hora, por isso acabou nos restando o domingo, um dia antes da nossa volta a São Paulo. Ah, por um acaso domingo também era o dia que eu completava mais um ano de vida.

Antes de fecharmos o passeio o dono da pousada nos alertou que aquela época era de maré cheia e a praia era muito mais bonita na maré baixa, mas como só tínhamos o domingo para aproveitar resolvemos ir mesmo assim. Pra quem nasceu e cresceu em SP qualquer lugar que tenha praia no nome já vale a pena.

1º aprendizado: Planejamento é importante para melhor aproveitamento do passeio, você pode até não se importar com alguns contratempos, mas, confie em mim, é bom estar preparado para eles.

Às 7 da manhã do domingo já estávamos em pé, engolimos o café da manhã, usamos todo o protetor solar que ainda nos restava e esperamos pela van que iria nos buscar. Fomos os últimos a entrar e logo o guia começou a explicar o trajeto e dar as orientações sobre o dia.

Ele começou dizendo que quando chegassemos teríamos um restaurante como ponto de encontro, de lá andaríamos até uma parte da Praia do Espelho. Ok. Lá os restaurantes não aceitam cartão. Mais ou menos ok. A consumação mínima era de 50 reais (lembrando: em dinheiro, sem cartão). Nada ok.

Na mesma hora eu e o Victor (meu marido há 1 semana) nos olhamos e começamos desesperadamente a procurar dinheiro na bolsa, tentar dar uma de mágico tirando moeda atrás da orelha do outro e, no fim,  juntando tudo deu 70 reais. Ufa, que sorte ter 70 reais em dinheiro mesmo quando o dono da pousada havia nos dito que era melhor andar com cartão.

2º aprendizado: Levar sempre dinheiro em espécie com você, ainda existem lugares que não aceitam cartão e você não quer passar fome, sede, etc.

Quando chegamos ao nosso destino compramos uma garrafinha de água, olhamos o cardápio e vimos que a única coisa que poderíamos consumir era uma porção de fritas, com sorte acompanhada de um refrigerante. O guia que nos acompanhava tentou nos tranquilizar porque se precisássemos de dinheiro ele nos emprestaria e quando nos deixasse na pousada pagaríamos de volta, mas não estávamos dispostos a pagar R$ 125,00 em um prato de strogonoff. E se você quisesse comer um camarão teria que pensar seriamente em vender um rim, ou sei lá, alguma parte do corpo que você não fosse sentir tanta falta.

Enfim, pegamos nossa água, tirei a canga que havia comprado no dia anterior da bolsa e lá fomos nós andar até a Praia do Espelho. Vou só explicar que o objetivo não era usar a canga como uma canga, mas como uma espécie de burca para me proteger do sol. Como era nosso penúltimo dia na Bahia eu já estava um pouco ~bronzeada~ e uns meses antes comecei a perceber que eu tinha uma espécie de alergia ao sol. Por isso, de alguma forma, eu achei que usar uma canga poderia me ajudar a me proteger do sol. Loser.

Eu, minha burca, a Praia do Espelho e o restaurante/pousada que não aceitava cartão

Como o dono da pousada já havia nos alertado, a maré estava alta, por isso a Praia do Espelho não estava exatamente como víamos nas fotos, MAS continuava linda & poderosa & absoluta e eu me perguntava se as pessoas que gastavam muito $$$ viajando para algumas praias gringas já teriam gasto um pouco menos para conhecer esse paraíso aqui pertinho.

3º Aprendizado: Não precisa sair do país para conhecer lugares de encher os olhos (e o instagram de fotos).

A melhor parte é que onde estávamos só tinha o nosso grupo (9 pessoas contando com o guia). O dia estava lindo, o sol brilhava e me queimava mais do que eu gostaria, nosso protetor solar tinha acabado e o mar chamava para uns mergulhos para lavar a alma, lá fomos nós.

Meu único medo era que a maré subisse demais e nos matasse afogados. Explicando: de um lado tínhamos o mar, do outro um paredão de pedras. A maré subia e o espaço de areia ia diminuindo cada vez mais. Mas, se o guia que era o guia tava de boa, porque eu não ficaria?

Obviamente antes de ir embora levei um caldo e posso dizer que levei 10% da areia daquela praia no meu biquíni.

De um lado o mar, do outro as pedras… A maré subia e a areia diminuia

Voltamos para o restaurante e nessa hora um dos casais que estava com o grupo comentou com a gente sobre o absurdo da consumação mínima ser 50 reais. Por pessoa. Olhei para o Victor, ele me olhou e tivemos aquele momento mágico quando o casal pensa junto: fudeu. E ainda faltava mais de 2 horas para irmos embora daquele local.

4º aprendizado: Quando for fazer passeios para lugares que você não conhece, leve sempre algumas bolachas, salgadinhos, água ou até marmita. Antes farofeira do que desidratada/desnutrida.

Demos um jeito de pagar pela garrafinha de água que pegamos quando chegamos e fomos atrás de uma das árvores para sentar e nos proteger do sol forte. Ainda era meio dia e só íamos embora 14:30h. Não estava fácil, além do calor e da fome, tinha quilos de areia no meu biquíni.

Naquela praia não tinha vendedores ambulantes. Não tinha a barraquinha do pastel, o tio do sorvete, nem uma água de coco, que eu também não gosto, mas no desespero vale tudo. Como se não bastasse a minha fome, minha pele estava dando sinais de que não estava reagindo bem ao sol. Nesse momento o Victor olha pra mim e diz seriamente: Para-de-se-coçar-A-GO-RA. Resiste! Já imaginei minha garganta fechando, a falta de sinal telefônico, a falta de ambulância, a dificuldade do caminho de volta e que se eu não parasse de me coçar eu morreria ali, no dia do meu aniversário de 26 anos, em plena lua de mel. Os sites sensacionalistas ficariam em polvorosa com tanto drama junto.

5º aprendizado: Já dizia Pedro Bial: Use filtro solar. Reaplique muitas e muitas vezes durante o dia. E tenha também um antialérgico por perto.

Com aquele calor todo e a tensão de controlar meus dedos para não me coçar pensei que estava alucinando, parecia uma miragem, mas não, realmente havia um cara vendendo queijo coalho. Posso dizer com absoluta certeza que foi o melhor queijo com areia que já comi na vida!

Bem, fomos embora e paramos em Trancoso. Mal vimos a praia, o Quadrado (a vilinha conhecida da cidade, que estava quase tudo fechado por sinal), nem provamos a concorrida tapioca da praça, mas aproveitei para usar o banheiro que cobrava apenas 1 real. Muito melhor que os 50 do lugar que estávamos antes. Depois acabei me arrependendo, pois deixei parte da areia da Praia do Espelho no banheiro da mulher que não tinha nada a ver com aquilo. Antes tivesse me vingado daquele restaurante/pousada.

6º aprendizado: Tenha sempre moedas de 1 real com você, mas se não tiver tudo bem também, é o universo te dizendo o lugar certo pra você se vingar.

Finalmente era hora de voltarmos à pousada. Embora fosse meu aniversário, dia de comemorar e se despedir de Arraial, só saímos à noite porque realmente queríamos comer algo de verdade. E também porque passar na farmácia não era uma questão de escolha.

No dia seguinte foi dia de dizer tchau pra Baheeea, aquela linda, e conseguir superar o desespero de vestir uma calça jeans para pegar o voo de volta, mesmo com cada parte do meu corpo ardendo como se estivesse queimando no mármore do inferno. Quando chegamos em São Paulo ainda levei uns 10 minutos para convencer meus pais que eu era a filha deles e que se passei de branco neve para vermelho intenso a culpa era do sol.

 

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