01 saudade: Playcenter

Kids, hoje vou contar a vocês uma história fascinante, a história sobre o que era o Playcenter…

O parque surgiu em 1973, mas como eu nasci no final dos anos 80 só fui conhecê-lo lá pelos tantos dos anos 90. Alguns diriam que eu não peguei a época de ouro, mas posso dizer com absoluta certeza (sem margem de erro do ibope) que me diverti SIM e foram bons anos de Playcenter.

A primeira vez que fui ao parque foi com o meu pai e eu devia ter uns 9 anos, era férias. Foi mágico, divertido e de lembrança desse dia ganhei um boné do Turbo Drop (eu não ligava pra estar na moda mesmo!). Depois desse dia voltei algumas vezes, principalmente com a escola que todo ano fazia excursão pra lá.

Mas o que tinha esse Playcenter, afinal? – Alguns diriam.

Eu respondo:

Pessoas felizes e unidas pelo desejo de permanecer no brinquedo por mais tempo

As pessoas iam para lá para se distrair, brincar, ser feliz, etc. Todo mundo estava feliz, principalmente se você ia com a escola, aí a felicidade era dupla: pelo parque e por faltar a aula. Nos brinquedos as pessoas se uniam em uma só voz cantando coisas como “bota pra subir que essa galera não tem medo de cair” e quanto mais alto e mais animado, mais tempo te deixavam ficar no brinquedo. Claro, nos últimos anos de vida do parque isso não era uma coisa muito inteligente de se dizer, considerando que as coisas estavam em decadência e, bem, isso poderia acontecer de verdade.

Músicas

Enquanto esperávamos para ir a algum brinquedo sempre se ouvia músicas e a animação de quem comandava a atração. Hoje escrevo Playcenter+Música e o Google me dá como resultado música eletrônica. Até é verdade, principalmente naquele La Bamba que os caras ficavam sem camisa no centro do brinquedo enquanto tentavam se equilibrar em pé. Mesmo com essa constatação do Google, na minha cabeça, a lembrança é de que só tocava uma única música no parque inteiro e não era eletrônica, era a Scar Tissue do Red Hot Chili Peppers. Faz o teste aí, dá o play e fecha os olhos, você praticamente se vê de cabeça para baixo em algum Cataclisma.

Brinquedos

É isso que faz os parques serem tão legais. Lembro que o primeiro brinquedo que fui no Playcenter foi o Turbo Drop (provavelmente por isso meu pai me deu o boné), aquela torre de 60 metros que você senta numas cadeirinhas com a perna pendurada e despenca lá de cima. Lembrando: meu pai que me levou no parque pela primeira vez e eu tinha 9 anos. O que se passou na cabeça do meu pai pra me levar nesse brinquedo?

Olha só, filha, você vai naquele brinquedo ali. É tranquilo, tá?

Com o tempo a gente vai ganhando experiência e eu aprendi algumas regras importantes para o bom aproveitamento dos parques de diversão, por exemplo, nos brinquedos que envolvam água você precisa ir logo no começo do dia para que você possa se secar com o sol, caso contrário você vai morrer de frio (obviamente só aprendi essa regra quase morrendo de frio).

Também percebi que há categorias diferentes de brinquedos, como aqueles que estão ali que não foram criados para crianças, como você imaginava, mas para você dar um tempo depois das refeições, afinal, você não quer comer e colocar tudo pra fora no brinquedo mais próximo. A Montanha Encantada é um exemplo disso, você poderia até enlouquecer com aquela música, mas pelo menos a comida continuava no seu estômago.

E aí encontramos a outra categoria, aquela dos brinquedos que só os fortes de estômago vazio encaram de boa. A previsão do tempo nesses brinquedos é: sempre leve um guarda-chuva nessas filas, geralmente as pessoas limpam a alma o estômago nessas horas. Quantas vezes não era preciso parar o brinquedo por um tempo para que pudessem dar um jeito por ali?

*Boomerang: O sonho nunca realizado*

Outra categoria bem comum nos parques é a dos brinquedos que estavam sempre em manutenção. Eu adorava montanha russa, mas, desde que me lembro, a maioria sempre esteve em manutenção. A única que eu conseguia ir era a tal de Looping Star. Eu passava pela Marginal e ficava olhando o Boomerang pensando: um dia eu vou nissoaê. Nunca peguei essa joça aberta, quer dizer, teve um dia que vi uma fila para entrar no brinquedo, comemorei, entrei na fila e… aí deu problema com a galera lá dentro, tiveram que descer as pessoas e ele fechou pelo resto do dia. Hue. Tô começando a pensar que perdi os dias de ouro do Playcenter!

E, claro, haviam os brinquedos que além de pagar para entrar no parque você pagava a parte por eles, tipo Skycoaster e Castelo dos Horrores. O primeiro sempre me faltou coragem para ir e o segundo até cheguei a ir, mas definitivamente preferia gastar o dinheiro com hambúrguer. Ou sorvete. Ou sei lá, simplesmente ficar com esse dinheiro. É por essas e outras que também nunca fui na noite do Terror, que era um Castelo dos Horrores, mas não ficava restrito ao Castelo.

Filas

Algumas coisas na vida não fazem muito sentido, por exemplo, a gente vive reclamando de filas, tem pavor de passar 20 minutos paradinho com estranhos por todo lado, mas no Playcenter a gente praticamente pagava pra passar o dia em filas, na maior parte do tempo debaixo do sol. Você comprava ingresso pra um dia no parque e conseguia, quando tinha sorte, ir em 6 brinquedos durante TODO O DIA.

E mesmo depois de todo esse dia de fila e muito sol na cara você ainda vibrava quando ganhava o ingresso pra voltar em outro dia. Detalhe: pra conseguir esse ingresso você tinha que pegar uma outra fila enorme. E depois você ficava mais feliz por pegar mais fila em um outro dia. Lógica doida.

E isso, kids, é o que era o tal Playcenter, bons tempos! Qualquer dia conto a vocês o que era o Hopi Hari e porque mesmo ficando em outra cidade ele acabou superando o Playcenter.

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2 comentários sobre “01 saudade: Playcenter

  1. O playcenter era realmente muito bom, infelizmente foi somente duas vezes, a segunda uma semana antes de fechar.

    Amei a referência a HIMYM.

    P.S. Fiquei quase quatro horas na fila mas fui no Boomerang

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